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quarta-feira, 23 de abril de 2014

Noites & Dias

E a distância daquelas almas e de seus corpos foi separada por apenas uma parede de concreto. O silêncio entre os dois foi o que concretizou o vão do amor. Ao longe se escutava os barulhinhos da noite, agora, fria e densa e intensa. Enfraquecido pelo ar gélido o sangue ainda quente percorria devagar e manso o corpo dos amantes, isso ainda era a espera... Ela queria uma resposta aos seus anseios, queria sentir aquelas mãos outra vez percorrendo seus seios, o peso do corpo do amante sobre o seu. Ah! A espera por um sinal, qualquer sinal para que pudesse se jogar novamente aos seus pés, inocente e ardente. O tempo se torna inimigo de quem espreita o passar das horas, o tempo aprisiona aquele que busca algo e o tempo foi seguindo... A imensidão foi crescendo num sentido diferente, encantos diferentes, desencontros permanentes. Ela sabia exatamente o que poderia fazer com que sua vida tivesse um sentido porque ser amada e estar apaixonada era a única solução para poder reencontrar os pedaços que a vida levou do seu caminho. Pedaços de tudo, pedaços de outras vidas, pedaços de risos, pedaços de alegria. Ela era o amor em si, precisava disso para se sentir viva. Ele continuava do outro lado da parede, mudo, sem expressão buscando algo que não sabia bem o que era. Ele não era o amor em si e se sentia perdido porque não entendia o que ela queria. Então, fixou o silêncio na relação. Esperou por ela noites e noites e não sabia por que ela não vinha. Assim, eles permaneceram noites e noites afins. Noites frias outras densas e mais intensas, a parede, o sangue quente, a espera por novos encantos correspondidos. E o dia traz de volta a realidade da vida tão vazia por faltar o encontro dos amantes durante a noite fria.