De noite a calmaria se instala na casa e
o silêncio toma conta do mundo interior daquela menina. Ela anda de um lado
para outro na busca de se encontrar com o imaginário mundo das fábulas. Fadas, feiticeiras,
monstros, aventuras que envolvem o real e a fantasia. Vai para cama se revira,
se vira do avesso e não encontra o sono. Reclama, tem fome de algo que não sabe
explicar o que é. Quer uma história para ouvir e depois contar muitas vezes por
aí. Ela é a encantada, a guerreira, a menina fascinada que tem uma curiosidade
enorme para descobrir as coisas do mundo. Interessa-se por planetas, quer ser
uma astronauta da vida. Quer ir à lua e a marte... Descobrir se lá existem crianças
que sonham como ela ou quem sabe dinossauros que já passaram aqui pela terra. Possui medo do que não conhece, mas é esse medo que
desenvolve nela a curiosidade de ir além do que enxerga. Ela seduz com o brilho
no olhar e quer conversar, contar, falar e falar, questionar – não aceita as
coisas sem antes perguntar o porquê delas. Não entende o desconhecido e quer
ter controle dele sempre. Quer aprender mais e viajar nas profundezas da sua
própria inquietação. E a noite vai passando e a calmaria e o silêncio estão
presentes no mundo exterior, porque dentro dessa pequena menina tudo gira na
amplitude de suas conquistas... Agora, pra quem a admira parece que foi dormir e
quando acordar mais uma aventura ela vai contar, de como foi procurar suas respostas,
desse mundo inquieto que a ronda todas as noites. Para compreender o que ela vive e sentir seus sentimentos só existe uma maneira: se
entregar ao universo desconhecido e embarcar nas aventuras da noite dessa
pequena menina aprendiz de feiticeira.
(essa é minha filha explorando seus mundos e se descobrindo na vida)