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terça-feira, 29 de abril de 2014

Pequena Menina

De noite a calmaria se instala na casa e o silêncio toma conta do mundo interior daquela menina. Ela anda de um lado para outro na busca de se encontrar com o imaginário mundo das fábulas. Fadas, feiticeiras, monstros, aventuras que envolvem o real e a fantasia. Vai para cama se revira, se vira do avesso e não encontra o sono. Reclama, tem fome de algo que não sabe explicar o que é. Quer uma história para ouvir e depois contar muitas vezes por aí. Ela é a encantada, a guerreira, a menina fascinada que tem uma curiosidade enorme para descobrir as coisas do mundo. Interessa-se por planetas, quer ser uma astronauta da vida. Quer ir à lua e a marte... Descobrir se lá existem crianças que sonham como ela ou quem sabe dinossauros que já passaram aqui pela terra. Possui medo do que não conhece, mas é esse medo que desenvolve nela a curiosidade de ir além do que enxerga. Ela seduz com o brilho no olhar e quer conversar, contar, falar e falar, questionar – não aceita as coisas sem antes perguntar o porquê delas. Não entende o desconhecido e quer ter controle dele sempre. Quer aprender mais e viajar nas profundezas da sua própria inquietação. E a noite vai passando e a calmaria e o silêncio estão presentes no mundo exterior, porque dentro dessa pequena menina tudo gira na amplitude de suas conquistas... Agora, pra quem a admira parece que foi dormir e quando acordar mais uma aventura ela vai contar, de como foi procurar suas respostas, desse mundo inquieto que a ronda todas as noites. Para compreender o que ela vive e sentir seus sentimentos só existe uma maneira: se entregar ao universo desconhecido e embarcar nas aventuras da noite dessa pequena menina aprendiz de feiticeira.
(essa é minha filha explorando seus mundos e se descobrindo na vida)

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Noites & Dias

E a distância daquelas almas e de seus corpos foi separada por apenas uma parede de concreto. O silêncio entre os dois foi o que concretizou o vão do amor. Ao longe se escutava os barulhinhos da noite, agora, fria e densa e intensa. Enfraquecido pelo ar gélido o sangue ainda quente percorria devagar e manso o corpo dos amantes, isso ainda era a espera... Ela queria uma resposta aos seus anseios, queria sentir aquelas mãos outra vez percorrendo seus seios, o peso do corpo do amante sobre o seu. Ah! A espera por um sinal, qualquer sinal para que pudesse se jogar novamente aos seus pés, inocente e ardente. O tempo se torna inimigo de quem espreita o passar das horas, o tempo aprisiona aquele que busca algo e o tempo foi seguindo... A imensidão foi crescendo num sentido diferente, encantos diferentes, desencontros permanentes. Ela sabia exatamente o que poderia fazer com que sua vida tivesse um sentido porque ser amada e estar apaixonada era a única solução para poder reencontrar os pedaços que a vida levou do seu caminho. Pedaços de tudo, pedaços de outras vidas, pedaços de risos, pedaços de alegria. Ela era o amor em si, precisava disso para se sentir viva. Ele continuava do outro lado da parede, mudo, sem expressão buscando algo que não sabia bem o que era. Ele não era o amor em si e se sentia perdido porque não entendia o que ela queria. Então, fixou o silêncio na relação. Esperou por ela noites e noites e não sabia por que ela não vinha. Assim, eles permaneceram noites e noites afins. Noites frias outras densas e mais intensas, a parede, o sangue quente, a espera por novos encantos correspondidos. E o dia traz de volta a realidade da vida tão vazia por faltar o encontro dos amantes durante a noite fria.